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Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

 

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

 

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.

Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão…

 

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…

 

de Cecília Meireles

 

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publicado às 11:26

Tô sem eira,

À beira da bobeira,

Empoleirada e faceira

Na soleira de tua alma empoeirada.

Em pose de mariposa,

Pirada e perfumada

Num breu despirocado;

Epiléptica,

Anacrônica, embriagada

A parir partituras abstratas

À sombra de tua morada.

de Tereza Duzai

 

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publicado às 09:30

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