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Este blog é uma forma de partilhar convosco livros que já li, que estou lendo, e/ou que gostaria de ler. Postarei poemas e tudo que estiver relacionado com escrita. É dedicado ao prazer da literatura.
Quero é vida!
Quero é paz!
Quero é cor!
Quero...
Correr, rir, saltar, dançar...
Quero viver intensamente,
Sentir na minha pele o sol ardente,
Deixar-me levar pela corrente.
Quero é amor!
Quero sentir o teu calor,
o teu sabor...
Quero...
saber, sentir, amar, me elevar...
Quero apaixonar-me perdidamente,
Sentir a brisa tocar-me docemente.
Quero é perder a cabaça e,
tocar-te, beijar-te loucamente.
Quero é explosão!
Quero é paixão!
Quero é emoção!
Quero é um vendaval de emoções,
Entregar-me a todas as sensações,
Quero dar e receber,
Quero simplesmente, Deixar Acontecer...
by LP
Esta paz que sentes no peito
É coisa passageira,
É apenas calmaria,
Prepara-te para a tempestade!
Assim é a vida...
Não te dará trégua,
Deixar-te-á apenas descansar.
O turbilhão está nascendo
Em teu peito.
Aquela bandida está chegando...
Está invadindo tua intimidade...
Já não irás dormir esta noite,
Teus pensamentos serão roubados.
É o amor que vem!
Chega sem pedir-te licença,
Acomodando-se em teu peito,
É a paz dizendo adeus.
Vive estes momentos de amor
Como se fosse a última vez,
Talvez o seja!
Não te importes,
Entrega-te aos braços de teu amor!
Talvez amanhã possa ser tarde...
Ela pode não esperar.
No peito, ela carrega muito amor
Pra dividir com aquele
Que se atreva a amá-la.
Assim como chegou
Ela poderá partir...
A dor se instalará no teu peito,
Mas sentirás a sensação doce de saber
que um dia ela te pertenceu!
Estou no canto, em pranto
E desencanto,
Vivendo um momento triste que de
Minh’Alma aflora,
Chora...
O vento bate forte como se eu
Estivesse em alto mar com meu barco
Balançando nas ondas agitadas
Da amargura...
Em terra, que não é mais firme,
O vento continua batendo
Derrubando as flores do meu jardim
E a ave que habita em mim,
Não tem força para alçar
Seu belo vôo...
Contudo, preciso me levantar,
Sou PEREGRINO da Vida, destemido
Caminheiro, tenho que
ACREDITAR,
Ter FÉ que
Esse vendaval que se abateu
Sobre minha vida vai passar,
O mar vai se acalmar,
As flores do jardim renascerão...
E, enfim, a grande Ave Soberana
Que habita em meu ser poderá
Alçar seu belo vôo de LIBERDADE pelo ar
Num lindo céu azul
Tal qual uma Águia Fênix, ressurgindo,
Despertando, renascendo
Na Chama verde da ESPERANÇA.
Elias Akhenaton
Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
E nunca despertar.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
de Vinicius de Moraes
BASTA-ME um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
de Cecília Meireles
Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
de Cecília Meireles
Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.
de Cecília Meireles
Talvez um dia o Sol se apague
E a chuva deixe de cair
Talvez um dia, não haja dia
E a noite venha a sorrir
Não sei se o luar gostará
De ficar sempre acordado
Mesmo com o céu limpo
O céu todo estrelado
Talvez um dia a Lua fuja
E o mar fique zangado
Sem marés a deslizar
No areal molhado
Não sei se as gaivotas gostarão
De um mar sempre igual
Mesmo com o Sol a raiar
Na costa de Portugal
Talvez um dia nos roubem
A nossa Liberdade
Roubam também alegria
Justiça e equidade
Não sei se eu gostarei
De nada mais possuir
Enquanto Sol houver
Jamais vou desistir...
de Ana Cunha.
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
de Cecília Meireles