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Deixar Acontecer, by LP

por LJCP, em 31.07.14

Quero é vida!

Quero é paz!

Quero é cor!

 

Quero...

Correr, rir, saltar, dançar... 

 

Quero viver intensamente,

Sentir na minha pele o sol ardente,

Deixar-me levar pela corrente.

 

Quero é amor!

Quero sentir o teu calor,

o teu sabor...

 

Quero...

saber, sentir, amar, me elevar...

 

Quero apaixonar-me perdidamente,

Sentir a brisa tocar-me docemente.

Quero é perder a cabaça e,

tocar-te, beijar-te loucamente.

 

Quero é explosão!
Quero é paixão!

Quero é emoção!

 

Quero é um vendaval de emoções,

Entregar-me a todas as sensações,

Quero dar e receber,

Quero simplesmente, Deixar Acontecer...

 

by LP

 

 

 

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publicado às 17:24

Esta paz que sentes no peito

É coisa passageira,

É apenas calmaria,

Prepara-te para a tempestade!

 

Assim é a vida...

Não te dará trégua,

Deixar-te-á apenas descansar.

O turbilhão está nascendo

Em teu peito.

 

Aquela bandida está chegando...

Está invadindo tua intimidade...

Já não irás dormir esta noite,

Teus pensamentos serão roubados.

 

 

É o amor que vem!

Chega sem pedir-te licença,

Acomodando-se em teu peito,

É a paz dizendo adeus.

 

Vive estes momentos de amor

Como se fosse a última vez,

Talvez o seja!

Não te importes,

Entrega-te aos braços de teu amor!

 

Talvez amanhã possa ser tarde...

Ela pode não esperar.

No peito, ela carrega muito amor

Pra dividir com aquele

Que se atreva a amá-la.

 

Assim como chegou

Ela poderá partir...

A dor se instalará no teu peito,

Mas sentirás a sensação doce de saber

que um dia ela te pertenceu!

de Eduardo Baqueiro

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publicado às 14:18

Estou no canto, em pranto
E desencanto,
Vivendo um momento triste que de
Minh’Alma aflora, 
Chora...

O vento bate forte como se eu 
Estivesse em alto mar com meu barco
Balançando nas ondas agitadas
Da amargura...

Em terra, que não é mais firme,
O vento continua batendo 
Derrubando as flores do meu jardim
E a ave que habita em mim, 
Não tem força para alçar
Seu belo vôo...

Contudo, preciso me levantar,
Sou PEREGRINO da Vida, destemido 
Caminheiro, tenho que
ACREDITAR, 
Ter FÉ que 
Esse vendaval que se abateu 
Sobre minha vida vai passar,
O mar vai se acalmar,
As flores do jardim renascerão...

E, enfim, a grande Ave Soberana 
Que habita em meu ser poderá 
Alçar seu belo vôo de LIBERDADE pelo ar
Num lindo céu azul
Tal qual uma Águia Fênix, ressurgindo, 
Despertando, renascendo
Na Chama verde da ESPERANÇA.

Elias Akhenaton


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publicado às 16:36

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei 
Que coisas eu sonhei. 
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto 
Para um espaço aberto 
Que não conheço, pois que despertei 
Para o que inda não sei. 
Melhor é nem sonhar nem não sonhar 
E nunca despertar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

 

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publicado às 15:18

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

de Vinicius de Moraes

 

 

 

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publicado às 15:20

Timidez, de Cecília Meireles

por LJCP, em 26.07.14

BASTA-ME um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

 

- mas só esse eu não farei.

 

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

 

- palavra que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

 

- que amargamente inventei.

 

de Cecília Meireles

 

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publicado às 11:39

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

 

de Cecília Meireles

 

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publicado às 11:18

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

 

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

 

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

 

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

 

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

 

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

 

de Cecília Meireles

 

 

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publicado às 00:01

Liberdade, de Ana Cunha

por LJCP, em 20.07.14

Talvez um dia o Sol se apague

E a chuva deixe de cair

Talvez um dia, não haja dia

E a noite venha a sorrir

 

Não sei se o luar gostará

De ficar sempre acordado

Mesmo com o céu limpo

O céu todo estrelado

 

Talvez um dia a Lua fuja

E o mar fique zangado

Sem marés a deslizar

No areal molhado

 

Não sei se as gaivotas gostarão

De um mar sempre igual

Mesmo com o Sol a raiar

Na costa de Portugal

 

Talvez um dia nos roubem 

A nossa Liberdade

Roubam também alegria

Justiça e equidade

 

Não sei se eu gostarei

De nada mais possuir

Enquanto Sol houver

Jamais vou desistir...

 

de Ana Cunha.


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publicado às 14:47

Murmúrio, de Cecília Meireles

por LJCP, em 19.07.14

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

 

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

 

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

 

de Cecília Meireles

 

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publicado às 12:15

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