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Este blog é uma forma de partilhar convosco livros que já li, que estou lendo, e/ou que gostaria de ler. Postarei poemas e tudo que estiver relacionado com escrita. É dedicado ao prazer da literatura.
Amar é decisão
É dedicação e entrega fiel
Que permitem ser semeadas, regadas e cuidadas...
Amar é aceitar, valorizar, respeitar
É compreender com docilidade e ternura
E com simplicidade de coração...
Amar é celebrar o corpo
Na dimensão do consentimento e da entrega
Que se decide no concreto do quotidiano
E se renova na reciprocidade do sim
Nunca definitivo e sempre em mutação...
Em Doce Amor... Meu Arco-Íris
de Ana Paula Bastos
Há amores que chegam sem serem esperados
Que não pedem permissão para entrar
Mas que entram, mesmo sem autorização,
E invadem por completo todo o nosso ser
Como se fossem donos e senhores de tudo.
Vão crescendo e, aos poucos,
Enchem-nos por completo.
Já que a distância os não impede
Porque nos trazem a alegria
De nos sentirmos vivos
Ao despertarem as nossas emoções adormecidas.
Quando nos apercebemos
Que o outro está na nossa vida
E que, estando distante, sempre esteve perto, porque latente,
E que a saudade sonha com os seus braços
Para poder ser aconchegada,
Sonha com o seu rosto para acariciar,
Sonha com o seu coração para cativar...
Sonhamos e temos esperança
De um dia podermos dizer
Que nascemos para amar e sermos amados
Por esse amor inesperado...
Porque nunca ninguém nos tocou tanto assim
Porque nunca ninguém nos fez sonhar acordado desta forma
E, por isso,
Temos necessidade, temos falta, temos saudade...
Amar e ser amado
É, com toda a certeza,
Sentir o que eu sinto.
Amar e ser amado
Não questiona o presente, nem o futuro
Mas guarda-nos nessa lembrança
E conserva-nos no passado que ficou.
Em Doce Amor... Meu Arco-Íris
de Ana Paula Bastos
O beijo não previsto aconteceu...
Mas quantas vezes não se terão beijado
Através do olhar?...
A mão na mão aconteceu...
Mas quantas vezes antes não a terão desejado?...
O abraço que os fundiu em um só aconteceu...
Mas quantas vezes não foi idealizado e sonhado
No mais fundo dos corações?...
O amor da partilha de todo o ser aconteceu...
Mas quantas vezes não terão mergulhado um no outro
Fundindo os seus corpos
No desejo da concretização dessa fusão total?...
Por isso...
Aquele que hoje pega na tua mão
Toca, de forma especial, o teu coração
E te ama no fundo do teu ser
É, sem dúvida,
Uma pessoa muito especial!...
Em Doce Amor... Meu Arco-Íris
de Ana Paula Bastos
Não podemos escapar ao aroma um do outro
Que nos interpela,
Àquele perfume original que penetrou nos nossos corações
E nos tem acompanhado ao longo dos anos...
Somos capazes de identificar esse perfume singular
De alguém que nos marcou ad aeternum
Que deixou o selo da sua marca no nosso ser.
O seu perfume penetrou-nos há muito
Mas, ainda hoje,
Seríamos capazes de o identificar
Porque cada um deixou pegadas visíveis
No coração do outro.
Em Doce Amor... Meu Arco-Íris
de Ana Paula Bastos
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.
Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.
Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
de Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'
A NEVE PÔS uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

O frio especial das manhãs de viagem,
A angústia da partida, carnal no arrepanhar
Que vai do coração à pele,
Que chora virtualmente embora alegre.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se
estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.
Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural
inevitável.
Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me
acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade
sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.
Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
